segunda-feira, 30 de junho de 2014

Opinião: Por que Game of Thrones fascina tanto?



 George R.R. Martin, ou simplesmente G.R.R.M, é mundialmente conhecido por sua obra mais famosa, Game of Thrones GoT – um mega sucesso do canal HBO. O publico e a critica concordam que a série, literária e televisiva, é impecável em seu desenvolvimento, minimamente detalhada e bem produzida. Martin é tão respeitado que ganhou o intrigante apelido de “Tolkien americano” mesmo tendo superado o autor de O Senhor dos Anéis em qualidade e quantidade de livros.

            Qualquer um que esteja despretensiosamente passando pelos canais num domingo à noite, cansado do humor ogro do Pânico e entediado do jornalismo do Fantástico, esbarre no HBO e decida assistir por poucos minutos que sejam a série vai se interessar, se aflingir, rir, se assustar, se surpreender ou se irritar com todas as tramas e reviravoltas, dependendo do núcleo, mas, o fato é que o deleite será certo. Comparações e criticas à adaptação de lado, a grande questão são os livros: por que ninguém se arrisca a fazer uma critica negativa e todos amam ou amam tanto odiar as personagens?
            Alguns pessimistas diriam que a formula é simples: sangue+ sexo+ magia+ mortes+ guerra+ era medieval= sucesso. Os otimistas, porém, sabem que não é isso. Há tempos o publico consome e se farta das obras juvenis cheias de magia, vampiros, fadas e outros bichos que voam. O mercado estava carente e ansioso por uma obra que não fosse igual a todas as outras, com exagerado apelo juvenil, drama adolescente e personagens super poderosos. Game of Thrones se consagra, pois, trata o publico com o devido respeito, presenteando- os com uma obra épica que agrada aos mais tradicionais e aos “progressistas”. Game of Thrones é isso: obra- prima de qualidade. 600 páginas logo no primeiro livro que a primeira vista desanimam os não habituados, mas, que, quando você perceber terão ido embora e farão você ansiar por mais.
            Logo no primeiro livro, GRRM deixa claro a que veio matando sem dó ou piedade um dos personagens mais importantes. (O que desencadeia a guerra, propriamente dita) No terceiro livro, A Tormenta de Espadas, o publico se surpreende com o desfecho a derrota do Norte que ninguém esperava. São sete livros previstos e, diferente do que se espera de livros com a temática da guerra, o desfecho épico acontece, mas, existem pontos épicos no meio da história fugindo totalmente aos clichês de confronto final e batalha derradeira.
            Num único livro o clímax acontece não uma ou duas vezes, mas, sim várias. Em um momento você odeia Jaime Lannister e noutro suas atitudes, antes tão graves, são perdoáveis e até compreensíveis. GoT é uma saga que poderia muito bem pecar pelo excesso. Os produtores da série brincaram dizendo que a graça de tudo é “matar um personagem legal de vez em quando”. Essas mortes, às vezes esperadas, às vezes revoltantes poderiam dar o tom da série, mas, não, elas são apenas um aperitivo, um “algo a mais”. Com a incerteza de quem vive, quem morre, ninguém aposta todas as fichas num personagem. Esse clima é simplesmente delicioso. Quando questionado, o autor disse que já sabe quem herdará o disputado Trono de Ferro no final, mas, apesar das inúmeras e incontáveis teorias nenhum leitor bota a mão no fogo por seu palpite. É imprevisível.
            Uma confissão: eu jurei a mim mesma que se GRRM matasse meu personagem preferido (Jon Snow) eu não acompanharia mais a série. Isso só prova o quanto ela é envolvente e cativante. Você arregala os olhos ao virar a página. Num minuto está lendo uma enfadonha descrição e de repente, BOOM!, alguma surpresa, revelação, morte, casamento...
            O que torna As Crônicas de Gelo e Fogo -titulo em português- tão perfeito é que existem características medievais presentes e permeadas na história, seja nas falas, nas roupas ou nos cenários, mas, não é o tempo da Idade Média sendo descrito. Por mais que a imagem do continente europeu de reis e rainhas venha a minha cabeça –creio que não só à minha- é fato que a história não se passa em outro tempo, mas, em outro mundo.
            A lista de elogios é grande. A lista de criticas também. Para mim, os três pontos mais incômodos são as descrições, de lugares e pessoas, alguns núcleos que ficam meio perdidos e o fato de que - por ser narrado sobre diferentes pontos de vista, POV (Point of View) - certos detalhes cabem interpretação e não estão lá, explícitos. Claro que, para alguns, isso é um ponto positivo. O fato de um trecho ou mesmo uma frase poder ser visto de mais de uma maneira é divertidíssimo e só apimenta a criação de teorias e hipóteses, porém, alguns personagens importantes não têm POV e tudo o que acontece com ele é narrado por outro, o que deixa muita margem para imaginação. Isso é ruim? Não. Isso atrapalha? Jamais. Dá um bom debate? Com certeza.
            Um aspecto importante são os dragões e a magia. Eles não são o mais importante da história – embora, em minha opinião, serão definitivos e essenciais para o final-, o que lúcida que GoT não é história de adolescente. No começo são duas famílias, Lannister e Stark, disputando cada com suas armas. À medida que as coisas avançam percebe- se que é mais do que uma disputa entre casas poderosas, mais do que um reino em disputa. Das maiores às menores, todas as casas têm sua importância e, por mais incrível que pareça, duas delas (Kardastark e Frey), sem pretensão ao Trono, definem um dos acontecimentos mais marcantes e tenebrosos da história; O Casamento Vermelho. Nele, as coisas mudam. Tudo muda. Nenhum leitor sai do Casamento Vermelho apto a aceitar qualquer coisa no que vem a seguir. Com os lobos fora, chegam os dragões. Só o animal em si inspira medo por ser nítido que quem mexe com dragões mexe com o sobrenatural. O sobrenatural está ali, desde o primeiro livro, desde a primeira vez que conhecemos o slogan dos Stark: o inverno está vindo. Os Outros, o além da Muralha, os deuses (não são poucos)  e as chamas da Mulher Vermelha complementam a história dos dragões mesmo não estando ligada diretamente a ela.
            Quem sentará no Trono de Ferro no final? As apostas são muitas. Hodor, há quem diga. Esse é o marco principal, mas, não é o único. Quem casará com quem? Quem merece ostentar a Lumífera? Qual o futuro da Muralha? E Os Outros? São muitas perguntas que os próximos livros responderão, mas, respondendo à pergunta do titulo: genialidade. Genialidade como pouco vista aliada à técnica de escrita e narrativa, personagens bem criados - frutos da: genialidade!- enredos aparentemente distintos, porém, interligados. Game of Thrones fascina porque é único, é singular, é ímpar e para o talento e maravilha não tem explicação.
            Cinco livros que vão mudar seu conceito de “livro bom”, pois, esses sim, são os melhores.
Quebec M. 

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