sexta-feira, 4 de julho de 2014

[RESENHA] A Casa de Hades



O livro perfeito para aguçar a curiosidade do
desfecho final.

Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 478
Nota: 4,0

ATENÇÃO: Se você não acompanhou a série nos livros anteriores, o texto a seguir pode conter spoiler.


        A Casa de Hades foi um livro muito aguardado. O quarto título da série Os Heróis do Olimpo, como o título deixa claro, se desenvolve na casa do Deus dos Mortos, ou seja, o inferno.

       No livro anterior somos pegos de surpresa quando Annabeth e Percy caem no Tártaro. Ninguém podia imaginar que esse seria o fim do casal e realmente não seria. A Casa de Hades peca por isso; o Tártaro, tantas vezes descritas nos livros anteriores -inclusive na primeira saga- como um lugar inabitável, escuro, carente de vida e mortal aqui parece estar mais suave, mais fácil de se enfrentar mesmo estando ferido, o que deixa claro desde o inicio para o leitor que o final do casal será algo previsível e que Percabeth acabará bem.


     Essa falha se evidencia no quarto livro de forma acentuada, pois, apesar do crescimento das personagens eles são apenas adolescentes e colocar adolescentes sofridos e machucados, ainda por cima sendo um casal, num lugar impossível de sair e fazer com que eles enfrentem tudo isso juntos, com momentos românticos, e ainda terminem relativamente bem, além de ser clichê soa um tanto quanto pretensioso.
   A salvação da história é a  Hazel e seus dramas já que Piper e Jason continuam chatos. Leo e Frank competem explicita e implicitamente o tempo todo e isso é delicioso. Mesmo achando que Leo é uma versão cool do Percy, é inegável: ele é carismático e seu núcleo se torna mais interessante do que o do casal principal, sobretudo quando ele encontra uma velha conhecida dos semideuses que já se relacionou com Percy, o que, aliás, só comprova o que eu disse.
    Dentro da proposta da série, conhecida desde o Ladrão de Raios, o livro satisfaz aos fãs e merece respeito já que é perfeito para aguçar nossa curiosidade quanto ao desfecho final. Se a Profecia dos Sete era um mistério, agora ela é imprevisível. É como se Rick Riordan tivesse tido algumas aulas com George R.R. Martin e aprendido bem a deixar um clima de tensão no ar com a incerteza de quem morre e quem vive.
   Quando comecei a ler O Herói Perdido achei que seria impossível contar uma nova história explorando a temática dos deuses e deusas, pois, já estava gasto,tudo o que podia ser contato fora contado. Mas, me enganei. Os novos personagens trazem frescor à trama -mesmo sentido falta de Grover e outros- e um livro supera o outro. Assim sendo, A Casa de Hades é o melhor até aqui, mas, não meu preferido.
  Os personagens atingem o grau certo para enfrentarem o que vem por aí. Frank deixa de ser um menino com cara de bebê, Percy e Annabeth estão mais unidos, aliados à um titã bem conhecido, Leo faz seu juramento. O Juramento Final. Até Piper está charmosa, mas, claro, Jason é o mesmo: uma mistura de príncipe da Disney e cavaleiro de RPG.
    Na soma geral, um livro que vale a pena, intrigante, curioso, excitante e onde Nico, meu preferido, faz um revelação digna do personagem que ele é, dando- lhe o devido destaque já que agora todo mundo quer saber o que lhe acontece no final. O livro é bom e não peca em seu final, mas, em todas as situações vividas por Percy na primeira saga, e mesmo nessa, ele está ferrado, tem 0% de chances de se safar, mas, acaba se salvando e a seus amigos de algum modo. Matar o personagem no livro final calaria a boca dos críticos quanto a isso, mas, é impensável e pouco provável. 
   Para quem gosta da narrativa do tio Rick, um ótimo livro. Para quem sabe que Percy Jackson nada mais é que um livro infantil que conquistou os jovens, um dos bons, apenas.

Quebec M.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...