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| Talento de J.K salva o livro que, incrivelmente, tem o núcleo adolescente como o melhor da história. |
Autora: J.K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 651
Nota: 2,5
A trama se passa na cidade fictícia de Pagford, um lugar pacato e que todos amam.
Diferente do que o título possa levar o leitor a deduzir, Morte Súbita não é um livro de mistério, suspense ou romance policial. Casual Vancacy,- Vacância Casual, em tradução livre- é uma trama política que tem como ponto de partida a morte de um político importante, Barry Fairbrother, que, de algum modo, afeta a vida de todos.
Ele morre deixando vago o cargo no conselho da paróquia e a eleição para ocupar essa cadeira movimenta a trama. Particularmente, eu não me interesso por política, e, se você também não gosta vai achar enfadonho e repetitivo todos os "bastidores" por trás de uma eleição.
J.K exagera nas descrições. Ela dedica um capítulo inteiro apenas para contar a história da cidade e o motivo das brigas entre os ricos e pobres -como se não fossem claras no mundo capitalista. Alguns detalhes chegam a ser interessantes e pertinentes à história, mas, ficam maçantes. Por se tratar de um livro de volume único, os autores tem que colocar muita coisa numa obra só, incluindo o passado dos personagens, seus dramas internos, criar um clímax e desfecho. Isso é um desafio, mas, por via das dúvidas, a maioria prefere não correr o risco e tratar do passado apenas se for essencialmente relevante a trama, o que não é o caso aqui.
J.K escreve bem. Seu talento e técnica de escrita, que tantos aprenderam a amar com Harry Potter, estão presentes. Uma coisa bacana que eu amo nos livros é quando não existe um núcleo central e onde vários enredos aparentemente desconexos uns dos outros se ligam criando algo novo e surpreendente. A autora usa disso, mas, não abusa. O que é ótimo já que os personagens são parecidos e é possível até confundir- se com eles. Isso criaria uma confusão maior ainda.
Por mais incrível que pareça, a parte adolescente da trama é mais atraente. Se J.K tivesse investido nisso Morte Súbita deixaria de ser um romance adulto, mas, levando em conta que a maioria dos leitores dela são jovens, não haveria problema. Uma adolescente problemática, que tem uma mãe drogada, uma péssima influência, mas, que ainda assim ama e protege o irmão mais novo... essa é Krystal, sem dúvidas mais interessante do que Samantha e Shirley Mollison, seus respectivos maridos e mesquinharias.
Andrew, outro adolescente, só não foi melhor, pois, não salvou a mãe do pai abusivo. Talvez J.K apenas não quisesse criar outro super herói, mas, para quem fez isso tão bem como em H.P não seria um problema.
O final é a pior parte. As tramas não tem um fim digno e a morte de dois personagens importantes por pura negligência é revoltante, mas, não convincente. O tema das drogas está ali, mas, não é o foco. O homossexualismo aparece discretamente, mas, não recebe atenção. Loucura e auto mutilação permeiam a trama, mas, claro, não fazem parte do núcleo central que insiste em ser a odiada política.
Porém, política é algo feito por humanos e para os mesmos e é isso que torna a história peculiar e chata. A autora usou pouco das nuances humanas da política, embora elas estejam lá. Os personagens poucos são cativantes e nenhum vai virar ídolo.
Metade da nota ela conseguiu, pois, escolheu bem os temas e J.K Rowling é sempre alguém que mereça destaque e preferência na hora de escolher um livro, mas, a metade faltando é por que a ideia foi boa, mas, o desenvolvimento, não. E como eu mesma digo: "Ideias temos aos montes, em todos os momentos e para tudo, mas, se não fizer uso disso como algo útil de nada sua ideia importa"
Quebec M.

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