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| História prometia mais. Decepção quase total. |
Autora: Fabiane Ribeiro
Editora: Universo dos Livros
Número de páginas:
Nota: 2,5
Diálogos chatos, frases que jamais caberiam na boca de uma criança, história tem ritmo rápido, mas, nem um pouco ágil. Apresento a vocês: Jogando Xadrez com os Anjos.
Quando eu pedi esse livro, estava cheia de esperanças e ansiosa para ler minha primeira história sobre a Segunda Guerra Mundial - um tema que me interessa muito. A decepção veio de cara: a história se passa dois anos após o fim da guerra. Mantive- me animada, afinal, seria algo novo, mas, os primeiros capítulos deram o tom da história: broxante.
Anny é uma garotinha cheia de sonhos - isso é lindo- que só recebe a visita dos pais aos fins de semana. O ponto de partida é quando Jefferson e Cindy, pais da garota, anunciam que terão que viajar e parar de ver a filha. Antes de irem embora, porém, Jefferson dá um presente à Anny; um xadrez de cristal e lhe fala sobre o jogo. É nesse momento que ela apelida o pai de "rei Jefferson", referência usada durante o livro todo, e começa a desvendar os mistérios do "Reino Xadrez".
A história teria mais graça se ela não fosse levada para morar na casa ao lado da sua nem tivesse apelidado a mesma de "Casa Grande".
Pepeu surge do nada. Anny pede à Deus um amigo e lá está ele. Sim, você leu bem: Deus. A presença, explicita ou não, da entidade divina faz com que o livro seja uma mistura de romance,esoterismo e auto- ajuda. Falando nisso, todas as lições que a autora tenta passar, ainda mais pela voz de uma criança - desculpem dizer, mas, isso deixa 0% credibilidade- são extremamente irritantes. Lições de vida em livros, filmes, etc. são bacanas quando estão implícitas, diluídas na trama. Assim tão obvio além de não fazer ninguém refletir, são um"pé no saco".
O grande mistério do livro -saber qual é a profissão de Cindy e Jefferson- é facilmente descoberto pelos leitores mais atentos logo na primeira vez que a vítima aparece. Anny é uma criança, mas, parece um anjo. Se não fosse esse fato, que Fabiane deixa claro desde o primeiro momento, daria para arriscar que Pepeu era algum tipo de namoradinho, mas, eu não ousaria tanto já que ele tem vinte anos. O passado de Pepeu-Pedro Leopoldo, na verdade-ficamos sabendo quando - de alguma forma- Fabiane insere flashbacks onde ele conta sua história triste e pouco convincente. Seu amor que deveria emocionar, mas, soa ridículo e faz rir.
A trama é simples. Uma menina que é maltratada na casa do casal que recebe dinheiro para cuidar dela. Um tema tocante, claro. A salvação do livro que só não tornou- se uma decepção total, pois, a menininha protagonista é cativante e seu olhar otimista sob tudo às vezes soa exagerado, noutrora uma ótima perspectiva.
Falando sobre a técnica de escrita, Fabiane não deixa a desejar , mas, também não tem nada de esplêndido. Palavras- chaves repetitivas e descrições simples são sua marca o tempo todo. O enredo seria muito melhor se Anny fosse pobre, suburbana e não tivesse quem lhe ajudasse. O fato de ela conseguir "salvar" seu criador da amargura e mal- humor é interessante, mas, deprimente, pois, não se aplica à esposa dele. Na única vez em que Anny realmente sofreu - digo sofrimento relacionado à castigo físico- foi também a única vez que a história me atraiu, mas, a autora transformou o que veio depois em piada.
Pode soar sádico, mas, se Anny tivesse sofrido mais o livro seria melhor. Se a personalidade da mãe, ora madrasta má ora boazinha, tivesse sido melhor definida ou explorada em suas nuances, com toda certeza. O que torna esse livro ruim é a confusão entre os gêneros. Uma história que não prende o leitore cujo o único ponto positivo é a protagonista legalzinha que perdeu valor quando parou de falar e começou a pensar. Uma coisa que não disse, pois, acho melhor vocês descobrirem em mais detalhes sozinhos: o Reino Xadrez é estranho, esquisito e atrapalha o andamento da história com suas insistentes aparições. A capa e o título são detalhes importantes já que, diferentes da história em si, são lindos e chamativos.
Um livro que só vale a pena se toda sua lista de leitura tiver acabado, porque, como dizem os mineiros: "que trem é esse, uai?"
Quebec M.

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