terça-feira, 29 de julho de 2014

Os Instrumentos Mortais- Cidade dos Ossos: Livro vs. Filme

     Dificilmente uma adaptação literária para o cinema será perfeita. Todo leitor sofre a terrível angustia de saber como os diretores farão para minimizar as mudanças inevitáveis, já que a história sai do papel, cujo não há limites, para as telonas onde não só a imaginação fala, mas, também existem questões técnicas e orçamentais envolvidas.
            O orçamento de The Mortal Instruments- City of Bones, no original, foi de sessenta milhões e a bilheteria mundial equivalente a trinta e sete milhões sendo vinte e seis e meio no Brasil. Um resultado desfavorável. O segundo filme tem o inicio das filmagens previsto para 2014 -foi adiada-, mas, mas, não há nenhuma garantia quanto a todos os livros as série virarem filme já que o cinema é capitalista e, enquanto der lucro, tem mais, se deixar de ser rentável, já era.
Triângulo é o melhor da história.
Jamie Cambell decepciona.
            A obra de Cassandra Clare, best seller mundial, é interessantíssima no papel, mas, broxante, você leu bem, na tela.
            As primeiras notáveis diferenças são quanto aos personagens:
            Jace Wayland: Quem leu o livro imaginava um menino sexy, forte, poderoso e com um quê de arrogância adorável. O ator escalado para o papel, Jamie Campbell (Harry Potter) lembra os traços do personagem, mas, convenhamos, esperávamos mais. Essa diferença física seria perdoada se ele convencesse com uma boa atuação. Infelizmente, Jamie passa o filme todo com uma expressão irritada, de testa franzina e inclusive quanto se declara à Clary a face não muda. Ele, porém, se sai melhor que Lilly Collins que ficou com a missão de representar nossa protagonista...

            Clary Fray: ela é bonita, charmosa, mas, esperávamos uma Clary mais atrapalhada, expressiva, talvez até desengonçada. O que recebemos é uma Clary Fray que passa o filme todo com a boca aberta tentando anular seu lado sexy, agindo totalmente errado para tal. No livro, Cassandra deixa claro que Clary não sabe que é bonita. Inclusive esse é um dos motivos que fazem Jace se apaixonar. No filme ninguém imagina que uma menina daquelas se acharia feia, pois, ninguém acha isso. A expressão facial e corporal da atriz não mudam e as insistentes jogadas de cabelo fazem parecer que estamos assistindo um clipe com trilha sonora boa e encenação ruim.
            Dos outros, não tem muito que reclamar. Isabelle está ótima, mas, tem menos destaque do que merecia. Alec e seu dilema quanto à orientação sexual e paixão platônica são pouco explorados e Jocely, Simon e Luke estão perfeitos. Obviamente a responsabilidade se fazer os protagonistas era muito maior, mas, nem isso fez com que os produtores fossem mais seletos.
            E então, vem o enredo. Ah, isso. O filme dá sono. Nem uma vasilha de brigadeiro na mão me fez ficar acordada o tempo todo, mas, para não perder nenhum detalhe eu pausei o filme, dormi e depois dei play novamente.
            Os fatos acontecem. Isso ninguém pode negar. A boate onde ocorre o assassinato, a invasão ao hotel dos vampiros, a revelação de incesto no final... A questão é como esses fatos foram inseridos.
            Na boate, o tempo que Clary passa assistindo a cena de assassinato –segundo o livro- é bastante, o suficiente para ela ouvir a respeito de Valetim. No filme, não chegam há cinco minutos, ela dá um grito que faz a boate INTEIRA com o som alto e pessoas bêbadas parar para olhar.
            Eis que pela paixão pelo livro e a felicidade de vê- lo nas telonas, perdoamos esse fato. Talvez os diretores apenas quisessem ir logo com as coisas para dar ritmo ágil à história.
            Nessa hora começa a confusão: Clary encontra Jace, mas, NÃO pega o sensor. Como ela vai matar o Ravener? - você se pergunta. Ela chega em casa e logo depois desce para falar com a vizinha de baixo, Madame Dorothea, que, por sinal, é negra ~~coisa que não é especificada em nenhum momento no livro~~. Jace está com ela e (Pelo menos isso! Aleluia!) presencia a cena da leitura de cartas. Observação importante: ELE, Jace Wayland, percebe que o Ás de Copas, que Clary escolheu do baralho, é o Cálice Mortal. Não a Clary. O engraçado é que no final do filme ele diz que “precisam achar o Cálice Mortal”, ai você para e pensa: mas, já não tinham achado? Por que não pegaram naquela hora de uma vez?
            Tudo acontece rápido demais e a passagem deles pelo Instituto é mínima, mas, não o suficiente para evitar todas as explicações à respeito do Mundo das Sombras e Caçadores de Sombras. Essa aula didática é chata. Nos livros, é justificável, mas, no cinema poderiam usar de outra maneira para explicar aos que não conhecem a obra literária tudo a respeito dos zumbis, vampiros e demônios no geral.
            Até agora o livro ganhou de dez a zero e o placar só aumenta a favor da obra original. Todos os mistérios que provocam suspense e prendem o leitor no livro simplesmente somem. Você não fica na dúvida para saber onde Simon está! Jace sabe! Você não precisa sequer desconfiar do menino na porta do hotel, ele não existe! A cena em que Alec confronta Clary dizendo que ela expôs Jace ao perigo ao ir sozinha trazer Simon da toca é patética já que ele não foi sozinho, Alec e Isabelle estavam lá.
            Quando você lê um livro e tem conhecimento da adaptação cinematográfica ou televisiva (novela, série etc.) as expectativas aumentam. Você passa a imaginar possíveis atores para cada papel, como eles representarão os cenários e todo o resto. Isso me lembra de muito uma amiga, Danielle, que assistiu As Vantagens de Ser Invisível comigo e passou o tempo inteiro reclamando do que não existia no livro e daquilo que faltou retratar. Creio que estive igual a ela domingo enquanto via Cidade dos Ossos.
            O filme não foi feito para os leitores. Não houve esse cuidado. A parte mais aflitiva e engraçada do filme é quando Simon bebe do liquido azul e se transforma num bicho feio ~~#nospoiler~~. Por alguma razão da natureza divina isso não existe no filme. Ele bebe, é capturado, mas, nos deparamos com um Simon pendurado e preso a muitas correntes sobre uma espécie de poço sem fundo. A cena em que Clary o resgata deveria ser legal, mas, é, no máximo, hilariante.
            A briga de Clary e Simon não acontece. A ordem de tudo foi mudada e sequer o beijo do casal de irmãos é decente.

            Abaixo você pode assistir os trailers oficiais de Cidade dos Ossos e  o book trailer de Cidade das Cinzas já que o trailer versão de cinema não está disponível.
Cidade dos Ossos

Cidade das Cinzas
            Após tantas mudanças, somos levados a raciocinar: o que esperar do segundo filme? O que você espera?
            Se Cassandra não demonstrar todo seu amor pelos fãs e tomar as rédeas da situação, dificilmente será algo que preste. Esperamos mais homossexualidade e mais incesto. Mais sangue, menos portais feitos d’água (WTF?) e mais fidelidade. Aliás, é isso que todo leitor espera.
            Crepúsculo foi tido como um filme feito para os leitores e ficou ruim. Mas, os fãs, ficaram felizes. A culpa da produção do romance vampiresco ter sido um lixo se deu pelo fato de a história ser chata, sem sentido e pobre. Com Instrumentos Mortais não será assim.
            Apesar de alterar a essência da história dos vampiros, ter a clássica e clichê luta entre bem e mal, triângulo amoroso e adolescentes super poderosos, a série insere muita informação, mas, que, incrivelmente não está em excesso.
            Lena Heady, Cersei Lannister, Game of Thrones, está linda, mas, passa o filme todo dormindo. Uma pena. As jogadas de câmera são boas e eficientes, as luzes, a produção, mas, o inicio é atraente, o desenvolvimento é broxante (e tosco) e o final... Bem... Podia ser mais excitante.

            Quebec M.

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