Dificilmente uma adaptação
literária para o cinema será perfeita. Todo leitor sofre a terrível angustia de
saber como os diretores farão para minimizar as mudanças inevitáveis, já que a
história sai do papel, cujo não há limites, para as telonas onde não só a
imaginação fala, mas, também existem questões técnicas e orçamentais
envolvidas.
O orçamento de The
Mortal Instruments- City of Bones, no original, foi de sessenta milhões e a
bilheteria mundial equivalente a trinta e sete milhões sendo vinte e seis e meio no Brasil. Um
resultado desfavorável. O segundo filme tem o inicio das filmagens previsto para 2014 -foi adiada-, mas, mas, não há
nenhuma garantia quanto a todos os livros as série virarem filme já que o
cinema é capitalista e, enquanto der lucro, tem mais, se deixar de ser
rentável, já era.
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| Triângulo é o melhor da história. Jamie Cambell decepciona. |
A obra de Cassandra Clare, best seller mundial, é interessantíssima no papel, mas, broxante,
você leu bem, na tela.
As primeiras notáveis diferenças são quanto aos
personagens:
Jace Wayland: Quem
leu o livro imaginava um menino sexy, forte, poderoso e com um quê de
arrogância adorável. O ator escalado para o papel, Jamie Campbell (Harry Potter) lembra os traços
do personagem, mas, convenhamos, esperávamos mais. Essa diferença física seria
perdoada se ele convencesse com uma boa atuação. Infelizmente, Jamie passa
o filme todo com uma expressão irritada, de testa franzina e inclusive quanto
se declara à Clary a face não muda. Ele, porém, se sai melhor que Lilly Collins que
ficou com a missão de representar nossa protagonista...
Clary Fray: ela
é bonita, charmosa, mas, esperávamos uma Clary mais atrapalhada, expressiva,
talvez até desengonçada. O que recebemos é uma Clary Fray que passa o filme
todo com a boca aberta tentando anular seu lado sexy, agindo totalmente errado
para tal. No livro, Cassandra deixa claro que Clary não sabe que é bonita.
Inclusive esse é um dos motivos que fazem Jace se apaixonar. No filme ninguém
imagina que uma menina daquelas se acharia feia, pois, ninguém acha isso. A
expressão facial e corporal da atriz não mudam e as insistentes jogadas de
cabelo fazem parecer que estamos assistindo um clipe com trilha sonora boa e
encenação ruim.
Dos outros, não tem muito que reclamar. Isabelle está
ótima, mas, tem menos destaque do que merecia. Alec e seu dilema quanto à
orientação sexual e paixão platônica são pouco explorados e Jocely, Simon e
Luke estão perfeitos. Obviamente a responsabilidade se fazer os protagonistas
era muito maior, mas, nem isso fez com que os produtores fossem mais seletos.
E então, vem o enredo. Ah, isso. O filme dá sono. Nem uma
vasilha de brigadeiro na mão me fez ficar acordada o tempo todo, mas, para não
perder nenhum detalhe eu pausei o filme, dormi e depois dei play novamente.
Os fatos acontecem. Isso ninguém pode negar. A boate onde
ocorre o assassinato, a invasão ao hotel dos vampiros, a revelação de incesto
no final... A questão é como esses fatos foram inseridos.
Na boate, o tempo que Clary passa assistindo a cena de
assassinato –segundo o livro- é bastante, o suficiente para ela ouvir a respeito
de Valetim. No filme, não chegam há cinco minutos, ela dá um grito que faz a
boate INTEIRA com o som alto e pessoas bêbadas parar para olhar.
Eis que pela paixão pelo livro e a felicidade de vê- lo
nas telonas, perdoamos esse fato. Talvez os diretores apenas quisessem ir logo
com as coisas para dar ritmo ágil à história.
Nessa hora começa a confusão: Clary encontra Jace, mas,
NÃO pega o sensor. Como ela vai matar o
Ravener? - você se pergunta. Ela chega em casa e logo depois desce para
falar com a vizinha de baixo, Madame Dorothea, que, por sinal, é negra ~~coisa
que não é especificada em nenhum momento no livro~~. Jace está com ela e (Pelo
menos isso! Aleluia!) presencia a cena da leitura de cartas. Observação
importante: ELE, Jace Wayland, percebe que o Ás de Copas, que Clary escolheu do
baralho, é o Cálice Mortal. Não a Clary. O engraçado é que no final do filme ele
diz que “precisam achar o Cálice Mortal”, ai você para e pensa: mas, já não tinham achado? Por que não
pegaram naquela hora de uma vez?
Tudo acontece rápido
demais e a passagem deles pelo Instituto é mínima, mas, não o suficiente para
evitar todas as explicações à respeito do Mundo das Sombras e Caçadores de
Sombras. Essa aula didática é chata. Nos livros, é justificável, mas, no cinema
poderiam usar de outra maneira para explicar aos que não conhecem a obra
literária tudo a respeito dos zumbis, vampiros e demônios no geral.
Até agora o livro ganhou de dez a zero e o placar só
aumenta a favor da obra original. Todos os mistérios que provocam suspense e
prendem o leitor no livro simplesmente somem. Você não fica na dúvida para
saber onde Simon está! Jace sabe! Você não precisa sequer desconfiar do menino
na porta do hotel, ele não existe! A cena em que Alec confronta Clary dizendo
que ela expôs Jace ao perigo ao ir sozinha trazer Simon da toca é patética já
que ele não foi sozinho, Alec e Isabelle estavam lá.
Quando você lê um livro e tem conhecimento da adaptação
cinematográfica ou televisiva (novela, série etc.) as expectativas aumentam.
Você passa a imaginar possíveis atores para cada papel, como eles
representarão os cenários e todo o resto. Isso me lembra de muito uma amiga,
Danielle, que assistiu As Vantagens de
Ser Invisível comigo e passou o tempo inteiro reclamando do que não existia
no livro e daquilo que faltou retratar. Creio que estive igual a ela domingo enquanto via Cidade dos Ossos.
O filme não foi feito para os leitores. Não houve esse
cuidado. A parte mais aflitiva e engraçada do filme é quando Simon bebe do
liquido azul e se transforma num bicho feio ~~#nospoiler~~. Por alguma razão da
natureza divina isso não existe no filme. Ele bebe, é capturado, mas, nos
deparamos com um Simon pendurado e preso a muitas correntes sobre uma espécie
de poço sem fundo. A cena em que Clary o resgata deveria ser legal, mas, é, no
máximo, hilariante.
A briga de Clary e Simon não acontece. A ordem de tudo
foi mudada e sequer o beijo do casal de irmãos é decente.
Abaixo você pode assistir os trailers oficiais de Cidade
dos Ossos e o book trailer de Cidade das Cinzas já que o trailer versão de cinema não está disponível.
Cidade dos Ossos
Cidade das Cinzas
Após tantas mudanças, somos levados a raciocinar: o que
esperar do segundo filme? O que você espera?
Se Cassandra não demonstrar todo seu amor pelos fãs e
tomar as rédeas da situação, dificilmente será algo que preste. Esperamos mais
homossexualidade e mais incesto. Mais sangue, menos portais feitos d’água
(WTF?) e mais fidelidade. Aliás, é isso que todo leitor espera.
Crepúsculo foi
tido como um filme feito para os leitores e ficou ruim. Mas, os fãs, ficaram
felizes. A culpa da produção do romance vampiresco ter sido um lixo se deu pelo
fato de a história ser chata, sem sentido e pobre. Com Instrumentos Mortais não
será assim.
Apesar de alterar a essência da história dos vampiros,
ter a clássica e clichê luta entre bem e mal, triângulo amoroso e adolescentes
super poderosos, a série insere muita informação, mas, que, incrivelmente não
está em excesso.
Lena Heady, Cersei
Lannister, Game of Thrones, está
linda, mas, passa o filme todo dormindo. Uma pena. As jogadas de câmera são
boas e eficientes, as luzes, a produção, mas, o inicio é atraente, o
desenvolvimento é broxante (e tosco) e o final... Bem... Podia ser mais
excitante.
Quebec M.

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